terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Começando o dia com a Clarice....

A importância de ler e escrever



"... talvez porque para as outras vocações eu precisaria de um longo aprendizado, enquanto que para escrever, o aprendizado é a própria vida se vivendo em nós e ao redor de nós. É que não sei estudar. E, para escrever, o único estudo é mesmo escrever."
Clarice Lispector



Declaração de amor

Esta é uma confissão de amor: amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter sutilezas e de reagir às vezes com um verdadeiro pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguajem de sentimento e de alerteza. E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de superficialismo.Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado. Ás vezes se assusta com o imprevisto de uma frase. Eu gosto de manejá-la - como gostai a de estar montada num cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às vezes lentamente, às para nos dar para sempre uma herança de língua já feita. Todos nós que escreve-nos atamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê vida.Essas dificuldades, nós as temos. Mas não falei do encantamento de lidar com uma língua que não foi aprofundada. O que recebi de herança não me chega. Se eu fosse muda, e também não pudesse escrever, e me perguntassem a que língua eu queria pertencer, eu diria: inglês, que é preciso e belo. Mas como não nasci muda e pude escrever, tornou-se absolutamente claro para mim que eu queria mesmo era escrever em português. Eu até queria não ter aprendido outras línguas: só para que a minha abordagem do português fosse virgem e límpida.


Clarice Lispector, A descoberta do mundo

Já leram? O que acharam dos trechos?

A Clarice mexe com nossa alma, com nossa palavras, com nossos gestos e nossos olhares diante da vida, das pessoas e do mundo. Aliás ela não nos mostra a saída, a soluçào, mas faz-nos pensar que todos passamos pelos mesmos entraves da procura, da busca. Que importa de quê?

Leiam Clarice e vislumbrem a cada dia um novo horizonte: exterior e interior.



Aldina

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